domingo, 13 de março de 2011

Lendas Piauienses: Cabeça-de-Cuia

Cabeça-de-Cuia


Esta é a lenda mais difundida em Teresina e remonta as origens da capital piauiense. Eu arriscaria dizer que se Remo e Rómulo, fundadores de Roma, foram amamentados por uma loba, os teresinenses são descendentes de uma besta: O CABEÇA DE CUIA!

Contam que há muito tempo, antes mesmo da fundação da cidade de Teresina, vivia na vila do Poti, uma vila de pescadores localizada próxima ao encontro dos rios Poti e Parnaíba, um pescador chamado de Crispim. Crispim morava com sua mãe, todas as madrugadas saia para pescar voltando de manhãzinha com seu cesto cheio de peixes, para comer e vender.

Em um período de vacas magras, ou de "peixes magros", o jovem pescador saiu em sua rotina matutina inutilmente, passou a madrugada inteira e nenhum peixe, entrou manhã a dentro e nada. Ao final da tarde voltou Crispim para sua casa com o cesto e a barriga vazios e a cabeça cheia.

Chegando em casa varado de fome entrou gritando com sua mãe:
- Mãe, tem de comer? O que é? Tô cum fome e num peguei peixe nenhum! "Disgraça"!
A mãe meigamente respondeu que havia feito um guisado de corredor de boi (um engana bucho modernamente chamado de "sopa na mão" ou "fome zero"). Crispim irado com o dia péssimo, e agravado com uma fome de lascar, pegou o enorme osso de boi e mandou um golpe certeiro na cabeça da velha que caiu de "cu trancado", mas antes de "descer nas coradas" rogou uma praga no filho:
- Desgraçado! Tu me matou, ingrato! Mas de agora em diante vagará às margens dos rios Poti e Parnaíba assombrando o povo nas noites de lua cheia e só se livrará da maldição depois que devorar sete marias virgens!

Assim, ainda hoje contam os pescadores do bairro Poti Velho, local onde outrora havia a vila do Poti, que nas noites de lua cheia pode-se ver a fera atacando as jovens moçoilas que se arriscam a banhar nas águas assombradas dos dois rios.

O senso comum afirma que por trás desta lenda há uma mensagem moral que fala contrário aos filhos que não obedecem suas mães. Entretanto, há quem diga que na verdade Crispim não teria tido um surto de Michael Douglas (em "Um dia de fúria"), mas que teria sim cometido outro crime, um incesto. Sofreria o jovem e infeliz pescador de Complexo de Édipo? E na verdade o enorme osso seria um símbolo fálico que representaria o estupro cometido por Crispim? E Crispim, para se livrar da maldição, teria que "comer" e não "devorar" as marias, por definição vírgens?

Bom, são perguntas difíceis de serem respondidas, mas convém ter cuidados as castas marias que banharem nas margens dos dois belos rios que banham a bela e jovem cidade de Teresina


Um comentário:

Carlos de Holanda disse...

Bom dia. Gostei do teu trabalho.Postei quatro ilustrações no Face, com o devido crédito.
Abraço.
Holanda.